Os Ficheiros Epstein Estão Mesmo 'Vazios'?
“Os ficheiros Epstein estão vazios — não há nada de novo neles”
Alguns documentos foram divulgados, mas milhões permanecem por divulgar ou fortemente censurados. Chamar 'vazios' aos ficheiros ignora tanto o que foi revelado como o que continua a ser ocultado.
O Que Estão a Dizer
Após divulgações parciais de documentos relacionados com Jeffrey Epstein, surgiu uma narrativa de que os ficheiros estão “vazios,” não contêm “nada de novo” ou provam que “não havia nada.” A narrativa vem de comentadores políticos, contas nas redes sociais e alguns responsáveis. A Procuradora-Geral Pam Bondi tem enfrentado acusações de legisladores de reter documentos, enquanto os seus defensores argumentam que os materiais divulgados não confirmam nada de significativo.
Sobreviventes, famílias e o público merecem total transparência sobre como um traficante sexual condenado operou com aparente impunidade durante décadas. Mas descartar mais de 6 milhões de páginas de documentos como “vazios” não é transparência. É o oposto.
O Que Os Documentos Mostram
O Cronograma
| Data | Evento |
|---|---|
| Julho 2019 | Epstein detido por tráfico sexual federal |
| Agosto 2019 | Epstein encontrado morto sob custódia federal |
| Dezembro 2024 | Epstein Records Transparency Act assinada como lei |
| Janeiro 2025 | Pam Bondi confirmada como Procuradora-Geral |
| Fevereiro 2025 | Primeiro lote de documentos divulgado pelo DOJ |
| 2025-2026 | Divulgações contínuas, com censuras e atrasos significativos |
O Que Foi Divulgado
O DOJ divulgou documentos em lotes. Os registos divulgados mostram nomes de associados, registos de voos e agendas que estavam anteriormente selados. Testemunhos de vítimas descrevem uma rede de facilitadores. Comunicações entre Epstein e indivíduos das finanças, política e forças de segurança. Provas sobre o âmbito do Acordo de Não Acusação de 2007 e as pessoas que protegeu.
Isto não é “nada.” São provas de um sistema que protegeu um predador.
O Que NÃO Foi Divulgado
Os comités de supervisão do Congresso relataram que das mais de 6 milhões de páginas estimadas abrangidas pela Lei de Transparência, apenas uma fração foi tornada pública. Muitos documentos divulgados contêm censuras extensas (páginas inteiras rasuradas). O DOJ invocou “investigações em curso” e “segurança nacional” como razões para a retenção. Legisladores de ambos os partidos acusaram o DOJ de atrasar deliberadamente o cumprimento.
A Tática do “Vazio”
Chamar “vazios” aos ficheiros funciona como tática de manipulação. Confunde-se “parcial” com “completo” (divulgar alguns documentos enquanto se retêm outros permite afirmar que “investigámos e não encontrámos nada” quando a investigação está incompleta). Exploram-se as censuras (documentos fortemente censurados podem ser apresentados como “prova” de que não há nada quando na realidade as censuras são o que esconde o conteúdo). Inverte-se o ónus (em vez de perguntar “porque é que os documentos estão a ser retidos?”, a narrativa torna-se “nunca houve nada para encontrar”). Desencoraja-se investigação adicional (se o público acreditar que os ficheiros estão vazios, a pressão para divulgação total diminui).
A Questão da Responsabilização
Membros do Comité Judiciário da Câmara declararam publicamente que a Procuradora-Geral Bondi não cumpriu integralmente as exigências do Congresso para documentos sem censura. Se isto constitui obstrução ou classificação legítima é uma questão jurídica que permanece por resolver.
O que não está em questão: os ficheiros não estão “vazios.” Estão incompletos.
Alguns documentos relacionados com Epstein foram divulgados e contêm revelações significativas. Milhões de páginas permanecem por divulgar ou fortemente censuradas. A alegação de que os ficheiros estão “vazios” ou não contêm “nada de novo” é contradita tanto pelo que foi divulgado como pela resistência documentada em divulgar o resto.
A Lei de Transparência é lei. O calendário de divulgação é público. As censuras são visíveis. Julgue a “vacuidade” por si próprio.
Fontes e Documentos
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